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23 novembro 2011

PAZ PARA A COMUNIDADE AFRODESCENDENTE




 
Você sabia que 2011 está sendo considerado o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes?

Para o povo afrodescendente, este é um ano muito especial, pois estão tendo a possibilidade de construir a arte de viver a paz em suas comunidades: com o reconhecimento do seu real valor históricocultural; com o reforço do combate ao preconceito, a marginalização, a  discriminação  e ao racismo; com a reparação das desigualdades socioeconômicas, além deste ano ser considerado o ano internacional dos afrodescendentes.

O ano de 2011 foi proclamado o “Ano Internacional dos Povos Afrodescententes” pela Organização das Nações Unidas (ONU), através da Resolução A/RES/64/169, e pela Organização dos Estados Americanos (OEA), Resolução AG/RES. 2550 (XL-O/10). Na Resolução da ONU estão explicadas as finalidades da iniciativa: “o fortalecimento de ações nacionais e a cooperação regional e internacional para o benefício das pessoas de descendência africana, para que elas gozem de direitos econômicos, culturais, sociais, civis e políticos, da participação e integração em todos os aspectos políticos, econômicos e sociais da sociedade e para promover maior conhecimento e respeito sobre sua herança cultural”.

Este ano e em todos os momentos devemos colaborar de forma proativa com esta causa totalmente  importante para todos nós, pois uma sociedade que quer ser realmente justa e pacífica não pode aceitar conviver com situações de profunda desigualdade e injustiça e de  situações de preconceito e marginalização, como as descritas pelo Relatório.

A Cultura da  Paz se faz com conscientização e aqui na Bahia temos o estado brasileiro e a capital mais negra das Américas e quiça do mundo, fora de alguns países eminentementes negros do continente africano, onde várias ações para o fortalecimento e conscientização da identidade negra   foram e são constantemente realizadas  por movimentos socioculturais de forte tradição afrodescendente, como por exemplo: o Ilê Ayê, Instituto Cultural steve Biko, o Olodum (e outros) que há décadas vêm tentando garantir a igualdade, a dignidade e a inclusão da população negra via cultura e educação.

Independente da tonalidade da pele, necessitamos estudar para conhecer e identificar os aspectos culturais da cultura negra que passou tanto tempo sem ser devidamente valorizada, desde o início da sua formação até à conteporaneidade (sendo importante ressaltar que de lá para cá já aconteceram mudanças significativas no continente africano), para a partir daí reconhecer que somos todos afrodescendentes, pois a identidade negra faz parte da nossa formação cultural como povo brasileiro e não pode ser mais negada ou negligenciada.

Que possamos fazer a nossa parte para o estabelecimneto desta consciência e pela ressignificação da nossa identidade negra, no local onde estivermos.

Faça algum comentário, colaborando com  algumas sugestões sobre esta temática!

Muita paz!

17 novembro 2011

DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA


A Tolerância pode e deve ser um dos valores trabalhados na escola e fora dela, de acordo à perspectiva da Educação para a Cultura da  Paz e Não-Violência Ativa. Sabemos que  a  condição humana caracteriza-se pela diversidade, mas basta observar mais atentamente a nossa sociedade, para percebermos  que a intolerância em relação ao “outro” continua a causar, dia após dia, grande sofrimento.   Indivíduos e comunidades inteiras são atacados constantemente e sempre são  alvos de violência,  devido à dificuldade da humanidade de aceitação da diversidade (diferença), em sua origem étnica, religião, sexual,  nacionalidade, etc.

Com isso, o  Dia Internacional para a Tolerância foi instituído pela ONU, como sendo o dia 16 de Novembro de cada ano, em reconhecimento à Declaração de Paris, assinada no dia 12 deste mês, em 1995, tendo 185 Estados como signatários. Foi instituído pela Resolução 51/95 da UNESCO.

A Declaração da ONU fez parte do evento sobre o esforço internacional do Ano das Nações Unidas para a Tolerância. Nela os estados participantes reafirmaram a "fé nos Direitos Humanos fundamentais" e ainda na dignidade e valor da pessoa humana, além de poupar sucessivas gerações das guerras por questões culturais, para tanto devendo ser incentivada a prática da tolerância, a convivência pacífica entre os povos vizinhos.


Foi então evocado o dia 16 de Novembro, quando da assinatura da constituição da UNESCO em 1945. Remetia, ainda, à Declaração Universal dos Direitos Humanos que afirma:
  1. Todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, consciência e religião (Artigo 18);
  2. Todos têm direito à liberdade de opinião e expressão (Artigo 19);
  3. A educação deve promover a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações, grupos raciais e religiosos (Artigo 26).
"Somos uma unidade na diversidade", conscientizar-se desse princípio é a chave para a aprendizagem da tolerância no nosso dia-a-dia, este valor humano tão importante nos dias de hoje, necessita ser trabalhado todos os dias e não somente nesta data simbólica.

Muita paz!

Fonte: Wikipédia/ ONU/UNESCO


01 novembro 2011

EDUCAÇÃO HOLÍSTICA PARA O SÉCULO XXI

EDUCAÇÃO 2000
UMA PERSPECTIVA HOLÍSTICA
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I. Posicionamento da Visão 

Preâmbulo 

Somos educadores, pais e cidadãos de diversas circunstâncias e movimentos educativos que compartilhamos uma preocupação comum pelo futuro da humanidade e de toda forma de vida na terra.
Estamos convencidos de que os sérios problemas que afetam aos sistemas educativos modernos refletem uma crise mais profunda de nossa cultura: a incapacidade da perspectiva industrial/ tecnológica predominante de guiar os direitos sociais e planetários que enfrentamos hoje, de uma maneira humana e vivificadora.
Cremos que nossos valores e práticas culturais predominantes, que incluem uma ênfase na competência sobre a cooperação, o consumo sobre o uso sustentável dos recursos, e a burocracia sobre a autêntica interação humana, tem sido destrutivos para a saúde do sistema ecológico assim também como para um desenvolvimento humano ótimo.
Ao examinar esta cultura em crise, também observamos que nossos sistemas de educação são anacrônicos e inoperantes. Em agudo contraste com o uso convencional da palavra educação, cremos que nossa cultura deve restabelecer o significado original da palavra que é "extrair". Neste contexto, educação significa ter suficiente paixão para extrair a grandeza que se encontra dentro de cada pessoa.
O objetivo deste posicionamento é proclamar uma visão alternativa da educação, uma educação que constitua uma resposta vivificante e democrática para a década de 1990 e mais adiante. Devido a que valorizamos a diversidade e favorecemos uma ampla variedade de métodos, aplicações e práticas, esta é uma visão que os educadores podem levar a cabo de várias maneiras. Não há unanimidade completa, nem entre aqueles de nós que aprovamos este documento, a respeito a cada uma das declarações que se apresentam aqui. A visão transcende a nossas diferenças e nos guia em uma direção que oferece uma solução humana à crise da educação moderna. 

Principio I.

Educação para o Desenvolvimento Humano 

Afirmamos que o objetivo primeiro, um efeito fundamental, da educação é sustentar as possibilidades inerentes no desenvolvimento humano. As escolas devem ser lugares que facilitem o ensino e o completo desenvolvimento de todos os educandos. O ensino deve enriquecer e aprofundar a relação com si mesmo, com a família e membros da comunidade, com a comunidade global, com o planeta e com o cosmos. Estas idéias vão sendo expressas eloqüentemente e postas em prática pelos grandes pioneiros do ensino, tais como Pestalozzi, Froebel, Dewey, Montessori, Steiner e muitos outros.
Lamentavelmente, o ensino público nunca tem tido o desenvolvimento humano ótimo como objetivo principal. A literatura histórica deixa claro que os sistemas escolares se organizaram com o objetivo de incrementar a produtividade nacional, incutindo hábitos de obediência, lealdade e disciplina. A literatura da "reestruturação" e de "excelência" das décadas de 1980 e 1990 estão muito afetadas todavia pela preocupação pela produtividade e a competição da economia nacional e com a possibilidade de processar as atitudes e os sonhos de uma nova geração com o objetivo de desenvolvimento econômico. Nós cremos que o desenvolvimento humano deve ter prioridade sobre o desenvolvimento econômico.
Fazemos um chamado a favor de um reconhecimento renovado dos valores humanos que estão sendo corroídos pela cultura moderna: harmonia, paz, cooperação, comunidade, honestidade, justiça, igualdade, compaixão, compreensão e amor. O ser humano é mais complexo, mais completo, que suas funções de produtor de cidadão. Se uma nação, por meio de suas escolas, de suas políticas de bem estar infantil e de sua afã de competição, não consegue sustentar o conhecimento de si mesmo, a saúde emocional e os valores democráticos, em última instância seu êxito econômico será minado pelo colapso moral da sociedade. Com efeito, isto já está ocorrendo, a julgar pela epidemia de drogas e dos problemas urgentes de delinqüência, alcoolismo, abuso de crianças, corrupção política e de escolas. Temos que criar seres humanos sadios se quisermos ter uma sociedade e uma economia sadias. É verdade que o sistema econômico requer que haja uma força de trabalho bem preparada e de confiança. A melhor maneira de conseguir uma força de trabalho assim é tratando os jovens em primeiro lugar como seres humanos e em segundo lugar como futuros produtores. Somente pessoas que vivem de forma completa, sadia e com sentido podem ser realmente produtivas. Fazemos um chamado a favor de um equilíbrio melhor entre as necessidades da vida econômica e aqueles ideais humanos que transcendem o econômico e que são necessários para uma atuação responsável. 

Princípio II.

Honrando os Estudantes como Indivíduos 

Fazemos um chamado para que se reconheça a cada educando, já sendo jovem ou adulto, como ser único e valioso. Isso significa aceitar as diferenças individuais e estimular em cada estudante um sentido de tolerância, respeito e apreço pela diversidade humana. Cada pessoa é criativa na forma inerente, tem necessidades e talentos únicos de tipo físico, emocional, intelectual e espiritual, e possui capacidade ilimitada para aprender.
Fazermos um chamado para que se investigue detalhadamente a validade das notas, qualificações e exames padronizados. Nós cremos que a função principal da avaliação é proporcionar ao estudante e ao professor informações que facilitem o processo de aprender. Opinamos que os pontos de avaliação "objetivos" não estão ao verdadeiro serviço do ensino e nem do desenvolvimento ótimo dos estudantes. Temos estado tão ocupados medindo o que é mensurável que temos descuidado daqueles aspectos de desenvolvimento humano que são imensuravelmente mais importantes. Além de descuidar importantes dimensões dos educandos, as provas padronizadas também eliminam aos que não podem ser padronizados. Em escolas inovadoras que estão tendo muito êxito pelo mundo, se está repensando as notas e os exames padronizados por avaliações personalizadas que permitem que os estudantes usem sua própria direção interna. O resultado natural desta prática é o desenvolvimento do conhecimento de si mesmo, da própria disciplina e de um entusiasmo autêntico por aprender.
Fazemos um chamado para que se apliquem em forma extensa os enormes conhecimentos que temos agora a respeito de maneira de aprender, inteligências múltiplas e as bases sociológicas da aquisição do conhecimento. Não existe nenhuma desculpara para impor tarefas, métodos e materiais em massa quando sabemos muito bem que qualquer grupo determinado de estudantes necessita aprender de forma distinta e por meio de atividades e estratégias diferentes. Os trabalhos que estão fazendo a respeito de inteligências múltiplas demonstram que se podem aproveitar os pontos fortes, como por exemplo no cinético, o musical, o visual-espacial para reforçar aspectos fracos, como o lingüistico e o lógico-matemático.
Questionamos o valor de certas categorias educativas como "superdotados", "limitados" ou "subnormais", e "em perigo de fracassar". Os educandos de todas as idades diferem enormemente através do espectro de atitudes, talentos, inclinações e circunstâncias. Ao classificar que um estudante não serve para descobrir seu potencial pessoal, simplesmente o define em relação as expectativas arbitrárias do sistema. O termo "em perigo de fracassar" é especialmente pernicioso : só serve para manter os objetivos competitivos e homogêneos do sistema educativo, ignorando as experiências e percepções pessoais que estão detrás das dificuldades de um estudante em particular. Sugerimos, ao contrário, que se transforme o ensino de maneira que se respeite a individualidade de cada pessoa, que possamos construir uma verdadeira comunidade educativa na qual cada um aprende de diferentes maneiras, que se ensine a cada um a valorizar seus próprios pontos fortes e que os potencialize para que se ajudem mutuamente. O resultado será que se satisfarão as necessidades de cada estudante. 

Princípio III.

O Papel Central da Experiência 

Afirmamos o que os educadores mais perceptivos estão debatendo durante séculos: a educação é assunto de experiência. A aquisição de conhecimento é um compromisso ativo e multisensorial entre uma pessoa e o mundo, um contato mútuo que outorga poder a quem aprende e lhe revela o rico significado do mundo. A experiência é dinâmica e cresce de forma contínua. O objetivo da educação deve ser o cultivo de um crescimento natural e sadio por meio da experiência; a educação não consiste em apresentar um "currículo" limitado, fragmentado, pré-digerido como se fosse um instrumento do conhecimento e da sabedoria.
Cremos que a educação deve conectar o educando com as maravilhas do mundo natural por meio de métodos que lhe façam embeber-se na vida e na natureza. A educação deve conectar o educando com o funcionamento integral da sociedade através de verdadeiro contato com a vida social e econômica da comunidade. A educação deve familiarizar o educando com seu próprio mundo interior por meio das artes, do diálogo sincero e de momentos de reflexão silenciosa, pois sem o conhecimento de seu próprio ser interior, todo conhecimento externo é superficial e sem sentido. 

Princípio IV.

Educação Holística

Fazemos um chamado a favor da integridade do processo educativo e da transformação das instituições e políticas educativas que se proponham a levar a cabo este objetivo. Integridade significa que cada uma das disciplinas acadêmicas proporciona nada mais que uma perspectiva diferente do rico, complexo, integrado fenômeno da vida. A educação holística celebra e faz uso construtivo de pontos de vista alternativos e em evolução da realidade e das formas múltiplas de conhecer. Não são somente aspectos intelectuais e vocacionais do desenvolvimento humano os que necessitam orientação e cultivo, mas também os aspectos físico, social, moral, estético, criativo e, em um sentido não sectário, espiritual. A educação holística leva em conta o profundo mistério da vida e do universo além da realidade e da experiência.
O holismo é um paradigma em ressurgimento, baseado na rica tradição de muitas disciplinas eruditas. O holismo afirma a interdependência inerente da teoria, a investigação e a prática em constante evolução. O holismo tem suas raízes na proposição que o universo é uma totalidade integrada na qual tudo está conectado. Esta proposição de integridade e unidade está em oposição direta ao paradigma de separação e fragmentação que predomina no mundo contemporâneo. O holismo corrige a falta de equilíbrio dos métodos reducionistas, colocando ênfase em um conceito expandido da ciência e do potencial humano. O holismo contém implicações de grande significado para a ecologia e a evolução humana e planetária. Estas implicações se discutem através de todo este documento. 

Principio V.

Novo Papel para os Educadores 

Fazemos um chamado a favor de uma nova compreensão do papel de professor. Sustentamos que o ensino é essencialmente uma vocação que requer uma mescla de sensibilidade artística e de uma prática cientificamente baseada. Muitos dos educadores que hoje se estão deixando enganar pela competição do profissionalismo: credenciais e certificações controladas de forma rígida, linguagem difícil de entender e técnicas especiais e uma separação a nível profissional dos temas espirituais, morais e emocionais que estão inevitavelmente conectados ao desenvolvimento humano. Nós sustentamos, ao contrário, que os educadores devem facilitar a aprendizagem, que é um processo orgânico, natural e não um produto que se possa criar segundo a demanda. Os professores necessitam de autonomia para projetar e estabelecer ambientes educativos apropriados às necessidades de seus alunos em particular.
Fazemos um chamado para estabelecer modelos na preparação de professores, que incluam o cultivo do próprio crescimento interior e do despertar criativo do professor. Quando os educadores se abrem a seu próprio interior, iniciam um processo de co-aprendizagem e co-criação com os discípulos. Nesse processo, o professor é o discípulo e o discípulo é professor. O ensino requer uma sensibilidade apurada aos caminhos do desenvolvimento humano, não um pacote predeterminado de métodos e materiais. Fazermos um chamado para formar educadores que tenham o educando como centro, que mostrem reverência e respeito pelo indivíduo. Os educadores devem estar atentos e conscientes das necessidades de cada educando, de suas diferenças e atitudes e ter a capacidade de responder a essas necessidades a todo nível. Os educadores devem em todo momento considerar a cada indivíduo no contexto da família, da escola, da sociedade, da comunidade global e do cosmos.
Fazemos um chamado para liberar a burocracia dos sistemas escolares, para que as escolas (assim como os lares, os parques, o mundo natural o lugar de trabalho, e todos os lugares de ensino) possam chegar a ser lugares de verdadeiro encontro humano. A literatura de reestruturação atual põe ênfase na "obrigação de dar conta", colocando o professor a serviço dos administradores e dos que ditam os planos. Nós sustentamos, ao contrário, que o educador deve dar conta, sobre tudo, a juventude que trata de compreender o significado do mundo que herdará algum dia. 

Princípio VI.

Liberdade de Escolher 

Fazemos um chamado em favor de oportunidades verdadeiramente substanciais de eleição em cada etapa do processo de aprendizagem. A educação verdadeira tem lugar somente em uma atmosfera de liberdade. É imprescindível ter liberdade de indagação, de expressão e de crescimento como pessoa. Em geral, aos estudantes deveria ser permitido uma autêntica seleção do processo de sua aprendizagem. Sua voz deveria ter suficiente peso em determinar o currículo e os procedimentos disciplinários, de acordo com sua capacidade de assumir tal responsabilidade. Porém, reconhecemos que alguns métodos de instrução deverão continuar em sua maior parte ter a tutela de pessoas adultas, seja devido a convicções filosóficas ou porque estão a serviço de grupos especiais de estudantes. O ponto é que as famílias e os estudantes necessitam ter a liberdade de escolher tais métodos, assim como também de não aceitá-los.
As famílias deveriam ter acesso a uma grande variedade de opções educativas nos sistemas de escolas públicas. Em lugar do sistema atual que oferece apenas um par de "alternativas", a educação pública deveria consistir em numerosas alternativas. Já não existe lugar para que a educação pública imponha uma cultura homogeneizada em uma sociedade diversa.
As escolas privadas seguem sendo necessárias, pois estas tendem a ser mais receptivas a inovações de amplo alcance, e têm a capacidade de incorporar os valores de comunidades, sejam religiosas ou de outro tipo. As famílias deveriam ter liberdade de educar a seus filhos em casa, sem interferência indevida das autoridades públicas. O ensino não fracionário no lar tem demostrado ser vivificadora educacional, social e moralmente, para muitos filhos e famílias. 

Princípio VII.

Educar para Participar na Democracia 

Fazemos um chamado a favor de um modelo de educação verdadeiramente democrático que potencialize a todos os cidadãos para que participem de maneira significativa na vida da comunidade e do planeta. Construir uma sociedade verdadeiramente democrática significa muito mais que permitir que o povo vote por seus líderes : significa potencializar a cada indivíduo para que participe de forma ativa nos assuntos de sua comunidade. Uma sociedade verdadeiramente democrática é muito mais que o "governo da maioria": é uma comunidade na qual se percebam as diferenças e onde se levem em conta os interesses humanos. É uma sociedade aberta a troca construtiva quando se requer uma troca social ou cultural.
Para poder manter uma comunidade assim, a sociedade deve estar fundamentada em um espírito de solidariedade por parte de seus cidadãos, em um desejo de compreender e experimentar compaixão pelas necessidades dos demais. Tem que ter um reconhecimento das necessidades humanas comuns que unem as pessoas semelhantes, em nações e na comunidade planetária. Deste reconhecimento deve surgir preocupação pela justiça. Para conseguir estes altos ideais, se deve facilitar que os cidadãos pensem de forma crítica e independente. A verdadeira democracia depende de um povo capaz de distinguir a verdade da propaganda, dos interesses comuns e das fórmulas partidaristas. Nesta época em que se pratica a política por meio de fórmulas breves e relações públicas não recomendáveis, o exame crítico é mais vital do que nunca para preservar a democracia.
Todas estas são tarefas educativas. Mas o processo de ensinar e aprender não pode cultivar estes valores a menos que os personifique em si mesmo. O ambiente mesmo do ensino deve girar em torno da solidariedade, e das necessidades humanas compartilhadas, a justiça, e ao estímulo de uma forma de pensar original e crítica. Realmente esta é a essência da verdadeira educação; é o ideal socrático, que muito raramente se está praticando nos sistemas educativos.

Princípio VIII.

Educar para ser Cidadãos Globais 

Cremos que cada um de nós, separados ou não, é um cidadão do mundo. A experiência humana é muito mais ampla que a de valores ou formas de pensar de uma cultura em particular. Na nova comunidade global que está amanhecendo, estamos colocando em contato, como jamais antes na história da humanidade, com culturas e percepções do mundo muito diversas. Cremos que já é hora que a educação cultive o apreço pela magnífica diversidade da experiência humana e pelo potencial perdido ou todavia desconhecido que existe dentro dos seres humanos. A educação na época global necessita dirigir-se a aquilo que é mais plenamente, mais universalmente humano na geração jovem de todas as culturas.
A educação global se baseia em um enforque ecológico que coloca ênfase na conexão e dependência mútua da natureza com a vida e a cultura humana. A educação global facilita o reconhecimento do papel de todas pessoas na ecologia planetária, que inclui a família humana e a todos os demais sistemas da terra e do universo. Um dos objetivos da educação global é abrir as mentes. Isto se consegue por meio de estudos interdisciplinares, de experiências que facilitam a compreensão, a reflexão e o pensamento crítico e respostas criativas. A educação global nos recorda que toda educação e toda atividade humana necessitam descansar nos princípios que regem aos sistemas ecológicos com êxito. Estes princípios incluem os benefícios e a diversidade, o valor da cooperação e do equilíbrio, as necessidades e direitos dos participantes, e a necessidade de sustentação dentro do sistema.
Outros componentes importantes da educação global incluem a compreensão das causas dos conflitos assim como a experiência dos métodos de resolução de conflitos. Ao mesmo tempo, é essencial explorar temas sociais tais como direitos humanos, justiça, pressões do excesso de população e desenvolvimento, para compreender em forma precisa as causas da guerra e das condições para a paz.
Posto que as religiões e tradições espirituais do mundo têm um impacto tão grande, a educação global fomenta a compreensão e apreço delas, como também dos valores que elas proclamam, incluindo a busca da transcendência, do amor, da compaixão, da sabedoria, da verdade e da harmonia. Para tanto, a educação global se dirige a aquilo que é humano no seu sentido mais completo e universal. 

Princípio IX.

Educar para uma Cultura Planetária 

Cremos que a educação deve surgir organicamente de um profundo respeito pela vida em todas as suas formas. Devemos cultivar uma relação entre o humano e o mundo da natureza que seja sustentável e não exploradora. Isto está no centro mesmo da nossa visão para o século vindouro. O planeta Terra é um sistema vivo extremamente complexo, mas fundamentalmente unitário; é um oásis de vida no escuro vazio do espaço. A ciência pós-newtoniana, a teoria dos sistemas e outros avanços recentes do pensamento moderno já reconheceram que ensinaram durante séculos algumas das tradições espirituais e mitológicas antigas : que o planeta, e toda vida em si, constituem uma entidade interdependente. As instituições econômicas, sociais e políticas devem engendrar um respeito profundo por esta interdependência. Todos devemos reconhecer a necessidade imperativa de cooperação global e sensibilidade ecológica, se a humanidade espera sobreviver neste planeta. Nossos filhos necessitam de um planeta sadio no qual possam viver, aprender e crescer. Necessitam ar e água puras, a luz do sol e um solo fértil e todas as outras formas de vida que constituem o sistema ecológico da Terra. Um planeta enfermo não pode manter filhos sadios.
Fazemos um chamado por uma educação que promova uma cultura planetária que inclua consciência da interdependência do planeta, a congruência do bem estar pessoal e global, o papel e o alcance da responsabilidade individual. A educação necessita estar arraigada em uma perspectiva global e ecológica para poder cultivar nas gerações jovens o apreço por uma profunda inter-relação com toda vida. A educação planetária engloba uma avaliação holística de nosso planeta e dos processos que sustentam a vida. O aspecto central deste estudo é o conhecimento dos sistemas básicos que sustentam a vida, as fontes de energia, os ciclos, as interdependências e as trocas. A educação planetária é um campo integrado que inclui a política, a economia, a cultura, a história e os processos de troca a nível pessoal e social. 

Princípio X.

Espiritualidade e Educação 

Cremos que todas as pessoas são seres espirituais em forma humana, que expressam sua individualidade através de seus talentos, capacidades, intuição e inteligência. Da mesma maneira que uma pessoa se desenvolve física, emocional e intelectualmente, ela também se desenvolve espiritualmente. A experiência e o desenvolvimento espirituais se manifestam em forma de uma profunda conexão consigo mesmo e com os demais, uma consciência do significado e propósito da vida diária, uma experiência de totalidade e interdependência da vida, uma pausa na atividade frenética, e nas pressões e estímulos da vida contemporânea; o conjunto da experiência criativa e um respeito profundo pelo mistério da vida. A parte mais importante, mais valiosa de uma pessoa é sua vida interior, subjetiva: a individualidade ou alma.
A ausência da dimensão espiritual é um fator crucial na conduta auto destrutiva. O abuso das drogas e do álcool, a sexualidade vazia, o crime e a desintegração da família, tudo proveniente de uma busca na forma errada de conexão, mistério e significado e uma fuga do sofrimento de não ter uma fonte autêntica de realização.
Cremos que a educação deve cultivar o crescimento sadio da vida espiritual em vez de produzir violência com uma constante valorização e competição. Uma das funções da educação é ajudar a compreender que tudo na vida está conectado a tudo mais. Em todas as grandes tradições do mundo, a ética desta tomada de consciência se expressa com: "O que faço aos demais, me faço a mim mesmo". O ato de potencializar uma pessoa é igualmente fundamental ao conceito de conexão. Se todos estamos conectados a todos e a todos os demais, então cada pessoa pode, de fato, fazer a diferença.
Ao estimular um profundo sentido de conexão com os demais e com a Terra em todas as suas dimensões, a educação holística fomenta um sentido de responsabilidade em si mesmo, com os demais e com o planeta. Cremos que esta responsabilidade não é uma carga, senão algo que se assume devido a uma consciência de conexão e potencialização. A responsabilidade individual, de grupo e global se desenvolve fomentando a compaixão que faz com que uma pessoa queira aliviar o sofrimento dos outros, inculcando a convicção de que a troca é possível e oferecendo os instrumentos que façam possível essas trocas. 

Conclusão 

Ao entrarmos no século 21, muitas de nossas instituições e profissões estão entrando em um período de profunda troca. Os que trabalhamos em educação estamos empenhados a darmos conta do que a estrutura, os objetivos e os métodos de nossa profissão foram desintegrados para uma época histórica que se chega agora a seu fim. É chegada a hora de transformar a educação para poder fazer frente aos rumos humanos e do meio ambiente que se nos apresentam.
Cremos que a educação nesta nova era deve ser holística. A perspectiva holística é o reconhecimento que toda vida neste planeta está conectada entre si de inumeráveis maneiras, profundas e imperceptíveis. A vista da Terra suspensa sozinha no negro vazio do espaço, destaca a importância de ter uma perspectiva global ao tratar com as realidades sociais e educativas. A educação deve promover respeito pela comunidade global da humanidade.
O holismo coloca ênfase no desafio de criar uma sociedade sustentável, justa e pacífica em harmonia com a Terra e suas formas de vida. Implica sensibilidade ecológica, respeito profundo tanto por culturas indígenas como pelas modernas, assim como pela diversidade de formas de vida do planeta. O holismo trata de expandir a maneira em que nos vemos a nós mesmos e a nossa relação com o mundo, celebrando nosso potencial humano inato: o instintivo, emotivo, físico, imaginativo e criativo, assim como o racional, lógico e verbal.
A educação holística reconhece que os seres humanos buscam significado, não somente informações e habilidades, como aspecto intrínseco de um desenvolvimento completo e sadio. Cremos que somente seres humanos sadios e realizados podem criar uma sociedade sadia. A educação holística cultiva as aspirações mais altas do espirito humano.
A educação holística não é um currículo ou uma metodologia determinados; é um conjunto de proposições que incluem o que segue:
  • A educação é uma relação humana dinâmica, aberta;
  • A educação cultiva uma consciência crítica dos muitos contextos na vida dos educandos: moral, cultural, ecológico, econômico, tecnológico, político;
  • Todas as pessoas possuem vastos potenciais múltiplos que somente agora estamos começando a compreender. A inteligência humana se expressa por meio de diversos estilos e capacidades todos os quais devemos respeitar;
  • O pensamento holístico inclui modos de conhecer intuitivos, criativos, físicos e em contexto;
  • A aprendizagem é um processo que dura toda a vida. Todas as situações da vida podem facilitar o aprender;
  • A aprendizagem é tanto um processo interno de descobrimento próprio assim como uma atividade cooperativa;
  • A aprendizagem é ativa, com motivação própria, que presta apoio e estímulo ao espírito humano;
  • Um currículo holístico é interdisciplinar e integra as perspectivas globais e da comunidade. 

Esta conclusión es La Declaración de Chicago sobre la Educación, adoptada por 80 educadores holísticos internacionales en Chicago, Illinois, en junio de 1990.