Ocorreu um erro neste gadget

29 abril 2011

CARTILHA "A PAZ COMO SE FAZ?"

QUER SABER UM POUCO MAIS COMO CONSTRUIR A PAZ NAS ESCOLAS?



Existe uma cartilha que propõe o desenvolvimento da paz através da expressão artística, da criatividade, da aceitação do outro e do diálogo, baseando-se nos quatro pilares da Educação do Futuro (aprender a conhecer, a fazer, a viver junto e a ser) e nos seis princípios do Manifesto 2000 da UNESCO - Por uma Cultura de Paz e Não-violência (respeitar a vida, ser generoso, ouvir para compreender, redescobrir a solidariedade, rejeitar a violência e preservar o planeta), apresentando atividades modelo, seguidas de sugestões de atividades dirigidas a jovens, adaptáveis para todas as faixas etárias. 

NO LINK ABAIXO, VOCÊ PODE BAIXAR GRATUITAMENTE  EM PDF NO SEU COMPUTADOR, A CARTILHA "A PAZ COMO SE FAZ? - SEMEANDO A CULTURA DE PAZ NAS ESCOLAS":

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/pol/paz_como_se_faz.pdf

NESTE OUTRO LINK ABAIXO, VOCÊ PODERÁ  SOMENTE LER A CARTILHA:

http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001308/130851por.pdf


BOA LEITURA E MUITA PRÁTICA!  E NÃO ESQUEÇA: A PAZ SE FAZ NO EXERCÍCIO CONSTANTE E EM NOSSO COTIDIANO!!!

23 abril 2011

AUTOCONHECIMENTO, AUTOTRANSFORMAÇÃO E LIBERTAÇÃO, O VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA


"Devemos ser a transformação que queremos no mundo"
Mahatma Gandhi

Aproveitando o ensejo da Páscoa, resolvi escrever sobre  alguns aspectos desta  oportuna temática, por conta da  relevância  do  assunto que irei abordar e também para que todos nós educadores possamos refletir e trabalhar de maneira mais  consciente, assertiva e produtiva com nossos educandos no que tange a abordagem da cultura da paz.  

Também porque que muito de nós, nos consideramos cristãos e celebramos a data como sendo a Ressurreição de Jesus Cristo, depois da sua morte pela crucificação. Penso que mesmo que não sejamos cristãos, independente de posição religiosa, o tema é bastante  interessante, porque nos convida a perceber alguns aspectos entre o mundo material e espiritual que negligenciamos no decorrer da vida.

Refletindo e ampliando a visão sobre o assunto, seria interessante utilizarmos um dos significados da palavra "ressurreição"  que quer dizer libertação / renovação / transformação / renascimento  e a simbologia  do "ovo da Páscoa"  que também tem um significado bem próximo e trabalharmos com nossos educandos  com alguns conceitos importantes para o desenvolvimento da cultura da paz e não-violência ativa, como o "autoconhecimento" e a "autotransformação" que estão diretamente  ligados ao desenvolvimento da paz no nível pessoal.

Sabemos que para mudar ou transformar algo ou alguma coisa, precisamos em primeiro lugar ter alguma espécie de conhecimento sobre o que se quer modificar. Não existe mudanças sem conhecimento, então para que nossos educandos vislumbrem um universo de esperança num futuro pacífico, faz-se necessário despertar e incentivá-los ao trabalho pela busca da paz pessoal (pacificação no nível pessoal), para que assim eles possam perceber e compreender a verdade sobre si mesmos e o mundo ao seu redor.

Além do orgulho e do egoísmo, um dos  grandes problemas que prejudica  a humanidade inteira e que dificulta o estabelecimento da paz,  penso que é a ignorância, e neste mesmo sentido o pior de tudo, é  a ignorância de si mesmo. Muito de nós não conseguimos enxergar um palmo a frente do nosso nariz, imagine boa parte e ou todo o universo ao nosso redor?

Como minha mãe sempre me dizia: "A ignorância é pior do que a guerra e a lepra", é claro que ela estava corretíssima em sua fala, porque este ditado popular é de uma verdade ímpar, pois quanto de nós nos equivocamos e agimos de forma desequilibrada, desrespeitosa e  preconceituosa com os outros,  conosco mesmo (por incrível que pareça) e com a vida? Justamente pela  falta de conhecimento, em especial de si mesmo.

Para nos libertarmos da ignorância e vivenciarmos a paz, o autoconhecimento é um investimento imprescindível na vida de quaisquer indivíduos, pois ajuda a melhorar a auto-estima e a auto-imagem, a compreensão dos conflitos internos, a modificação dos pensamentos, sentimentos e atitudes, ajuda na ampliação da consciência e consequentemente na valorização da vida, fazendo com que  nós possamos dar um sentido mais adequado para ela.

"Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses." Esta famosa frase atribuída ao famoso filosófo grego Socrátes é uma interessante chamada para  nós buscarmos e seguirmos este valioso caminho. Nos dias de hoje, ela pode ser traduzida como: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os segredos do universo e a maneira de agir  e de se aproximar de Deus. Segundo Hanna Wolff, neste contexto, aproximar-se de Deus, significa conhecer e aproximar-se da verdade que  se está procurando para orientar-se.

Mais adiante,  o Grande Mestre Jesus  contribuiu imensamente com esta proposta de autoburilamento, justamente porque convidou toda a população que viveu com Ele, para a busca da verdade de si mesmo e da vida, quando nos disse que "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".  Como a sua palavra era de libertação e iluminação, tornou-se uma proposta muito  revolucionária para a época, indo de encontro aos interesses, à perversidade e à ignorância dos  políticos e religiosos e de boa parte da população, que  acabaram Lhes condenado à morte por crucificação.

Ao passo que Jesus não morreu para nos salvar, mas sim, renasceu para nos mostrar que a vida continua e que o amor, a verdade, a caridade e  a paz são os caminhos da salvação, e  é justamente  aí que Ele assinala o ponto chave da questão proposta neste texto,  revelando-nos que o homem  deve  buscar o caminho  da humanização, ou seja, ele deve tornar-se um ser melhor e  autenticamente humano em sua existência, de acordo com aquilo que pode e deve ser, coerente com as suas potencialidades. 
  
Para compreendermos melhor  este caminho, faz-se necessário conhecer melhor  conceito de autoconhecimento do ponto de vista psicológico e educativo, que  pode ser denominado como busca do conhecimento de si mesmo; busca pela identidade interior. Sendo assim, a partir do momento em que o homem  (o educando) desperta para a necessidade dessa busca interior, inicia-se uma verdadeiro caminho (jornada do herói) em sentido vertical rumo à evolução do seu ser em sua verdade, autenticidade, autonomia e independência.  

A Pedagogia da Autonomia e da Libertação neste contexto,  orientada pelo grande educador Paulo Freire, pode ser uma fonte segura de estudo para nós educadores que queremos despertar nossos educandos para uma vida mais (auto) crítica, ética, justa, amorosa, autonôma e responsável.

Aprofundando um pouco mais esta questão, ainda segundo Hanna Wolff, o compromisso com a vontade, a coragem do encontro consigo mesmo, a consideração com príncipios e valores, o exercício (agir na prática), a disponibilidade, a responsabilidade, a segurança, o tempo, a paciência, a abertura e a consciência receptiva, são características fundamentais para quem busca trilhar este caminho.

Seguramente, é um exercício que pode ser implantado e orientado na escola pelos educadores, no sentido de desenvolver a percepção dos educandos em sua multidimensão para os aspectos mentais (cognitivos), emocionais, físicos, psicoespirituais, sexuais, intuitivo e sensitivo para  que eles possam assim, ampliar a consciência de si e do mundo.

Por experiência própria, posso dizer que autoconhecimento e em especial, a necessidade de transformação, não são experiências das mais fáceis, porque temos que seguramente enfrentar a nós mesmos, nossas  sombras, projeções, identificações, equívocos, distrações exteriores,  complexos,  ilusões,  fantasias, massificação  e  as nossas  paixões inferiores.

Como  nem sempre é fácil se ver e aceitar-se como se é, temos muitas dificuldades de assumir a responsabilidade para transformar-se. Mas, apesar do sofrimento que poderá causar, o autoconhecimento  é um caminho extremamente válido, porque acaba sempre nos impulsionando para uma vida mais honesta, autêntica, verdadeira e feliz (conosco mesmo e na relação com os outros).
  
Enfim, o tema é complexo, sabemos disso,  porém nunca um impedimento para que todos nós engendremos esforços na  busca pelo  autoconhecimento  como um propósito de vida  e que com isso, sejamos capazes de nos libertar das nossas amarras  intímas e sociais  e desenvolver em nós mesmos a capacidade de libertação, renascimento,  renovação e de transformação, não somente na Páscoa, mas em todos os dias das nossas vidas. Portanto, aproveitemos mais uma vez esta data, para revermos os pedidos do Cristo, para nos "libertarmos" da nossa santa ignorância  e "renovarmos" nossas atitudes.

Boa Páscoa para todos!

22 abril 2011

DIA DA TERRA - 22 DE ABRIL - CARTA DA TERRA

FONTE: MAURÍCIO DE SOUZA PRODUÇÕES


O DIA DA TERRA É UM IMPORTANTE ACONTECIMENTO EDUCATIVO E INFORMATIVO, ONDE ESTAMOS TODOS CONVIDADOS PARA PARTICIPAR DE MOVIMENTOS E ATIVIDADES QUE PROMOVAM A SAÚDE DO PLANETA EM TODOS OS NÍVEIS.

QUE POSSAMOS SER PESSOAS (HABITANTES) MELHORES EM NOSSA CAMINHADA PELA MÃE TERRA.

QUE TENHAMOS A CAPACIDADE DE BUSCARMOS  A HUMANIZANIDADE AUTENTICAMENTE HUMANA!

A CARTA DA TERRA É UMA DECLARAÇÃO DE PRÍNCIPIOS ÉTICOS FUNDAMENTAIS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE GLOBAL E LOCAL MAIS JUSTA, SUSTENTÁVEL E PACÍFICA.

 VEJA ALGUNS VÍDEOS PARA CONHECER ESTES PRÍNCIPIOS, CLICANDO NO LINK ABAIXO:

PARTE 1


PARTE 2


PARTE 3




21 abril 2011

EXPOSIÇÃO GRITO! ANO MUNDIAL DA ÁRVORE DE FRANZ KRAJCBERG

 
Esta aberta em Salvador a exposição "Grito! Ano Mundial da Árvore" do artista polonês-baiano Franz Krajcberg, com o objetivo de ser um manifesto pacífico pela saúde do planeta. Para ele “Este é o Ano da Árvore e em  junho, toda a Europa vai se manifestar e a Bahia e o Brasil saem na frente”.
 
A mostra é muito interessante não só do ponto de vista estético, mas, pelo apelo político-ecológico,  é composta por 13 esculturas, oito relevos e 16 fotos de árvores, marcando as comemorações dos 90 anos do artista, que é polonês, mas vive em Nova Viçosa, no interior da Bahia, desde o início da década de 70. Boa parte das suas peças foi confeccionada de cipós e troncos de árvores destruídas pelo fogo e consequentemente pelos homens.

Na inauguração da exposição Krajcberg aproveitou a presença dos veículos de comunicação e fez um apelo em prol do meio ambiente. “Vamos nos adaptar para não machucar mais este planeta. O Japão mostrou agora. Aqui no Brasil, nunca se viu tanta cidade embaixo d’água. Vamos mobilizar a população para continuarmos vivendo nesse planeta. O mundo está muito preocupado. Falar de floresta é muito importante. Precisamos de oxigênio para sobreviver neste planeta”.

APROVEITEM A OPORTUNIDADE, É ÚNICA! SAÍAM DE LÁ COM VONTADE DE LUTAR PACIFICAMENTE NÃO SÓ PELAS NOSSAS NECESSÁRIAS  FLORESTAS,  COMO POR TODO O PLANETA!

A visitação é gratuita e estará aberta ao público de sexta-feira (8) até 5 de junho, de terça a sexta-feira, das 10 às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13 às 17h, no Palacete das Artes-Museu Rodin, no bairro da Graça.


19 abril 2011

TODO DIA É DIA DE ÍNDIO



Todo dia é dia do índio!

Celebremos nossos ancestrais, primeiros habitantes e verdadeiros donos da Terra Brasilis, hoje infelizmente sofrem pela falta desta e pela destruição do seu legado cultural e da natureza.

Os índios entendiam que cada um de nós: “SOMOS PARTE DA TERRA E ELA É PARTE DE NÓS”! Respeitavam e cuidavam de si, da sua comunidade e de toda a natureza a sua volta.

Deveríamos ter aprendido com os nossos antepassados em relação ao respeito ao outro e a vida, respeito este que muitas vezes desconhecemos na sociedade em que vivemos. Entre os indígenas não haviam classes sociais como a do homem branco, todos tinham os mesmos direitos e deveres e recebiam o mesmo tratamento.

A educação indígena era bem interessante! Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprendiam desde pequenos de forma prática, pois costumam observar o que os adultos faziam e  treinavam desde cedo. Quando o pai caçava, costumava levar o indiozinho junto para que este aprendesse. Portanto, a educação indígena, assim como a suas manifestações artísticas eram bem praticas e vinculada a realidade da vida da tribo indígena. Quando atingiam os 13 os 14 anos, o jovem passavam por um teste (rito de passagem) e uma cerimônia para ingressar na vida adulta.

Analisando a educação para a cultura da paz e não violência ativa, é possível perceber que esta tem um vínculo com a educação indígena, pois também deve ser pautada na observação e prática dos valores inerentes a paz e a  não-violência, que deverão ser praticados pelos pais, educadores e ou adultos responsáveis como forma de ensinar (orientar) os educandos para compreender a realidade e para viver a  da vida com paz.

Os adultos eram o grande exemplo para o exercício, não só para as coisas práticas e materiais, como também para as espirituais e comportamentais. Aprendiam principalmente a perceber a beleza e a harmonia da vida; o respeito e o cuidado consigo mesmo, com o próximo e com a natureza .

A diversidade cultural, a arte, os aspectos socioculturais e todo o legado índigena precisam ser pesquisados e os conhecimentos utilizados como possibilidade de ressignificação da identidade cultural brasileira, ou seja de todo o povo brasileiro.

Não podemos esquecê-los, faz-se necessário um olhar atencioso e um maior cuidado com os povos que ainda sobrevivem a duras penas, lutando por uma vida mais digna  no pouco de terra preservada que ainda lhes resta.

Precisamos devolver a dignidade dos povos índigenas e a nossa também, e nunca esquecer que eles, somos nós mesmos e que devemos pensar sobre a vida deles todos os dias, porque todo dia é o dia do Índio!

Clique no link abaixo e veja o clipe de músicas brasileiras com a temática do índio:

Todo Dia Era Dia de Índio (Baby do Brasil e Jorge Bem Jor):

http://www.youtube.com/watch?v=v5e2WLxerCQ

Cara de Índio (Djavan):

http://www.youtube.com/watch?v=m7Uv49RghYo&feature=related

Um Índio (Caetano Veloso):

http://www.youtube.com/watch?v=dPdfwzYuOsw

Índios (Legião Urbana): 

 http://www.youtube.com/watch?v=qSi88Her3To

Amor de Índio (Beto Guedes):

http://www.youtube.com/watch?v=DGeQ-e9wjmM

17 abril 2011

ATIVIDADES PARA DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DA PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA ATIVA NAS ESCOLAS

Você sabe como educar para o desenvolvimento da Cultura da Paz e Não-Violência Ativa nas escolas?

A educação para a cultura da paz é um caminho que todo educador deve trilhar no dia-a-dia das escolas em que trabalham, mediante este contexto de violência extremada e desregramento geral da sociedade em que vivemos. Por experiência própria, posso garantir que a paz é extremamente viável, quando se tem o compromisso e o comprometimento. Os avanços tanto para os educadores e os educandos, quanto para a escola e toda a comunidade é bastante perceptível, a convivência passa a ser mais harmônica, feliz e humanizada.   

Para realizar atividades que envolvam a temática da cultura da paz é preciso estar atentos a alguns príncipios que norteiam a cultura da paz:

A paz é hamonia e está dentro em nós e não fora, deve ser consentida  pela força da vontade, escolha, disponibilidade e luta)  e buscada na consciência perseverantemente; 

Paz é ação proativa e  atividade prática, nunca  é inércia e apatia, devendo ser um compromisso criativo pela arte de viver a vida com paz;

Faz-se necessário trabalhar com todas as multidimensões do indivíduo em sua integralidade, o ser humano deve ser entendido como um conjunto e não um fragmento;

A paz precisa ser trabalhada como tema transversal, de forma inter e ou transdiciplinar no currículo escolar, de maneira natural e consubstancial à vida;

A pacificação pode ser trabalhada nos aspectos pessoais (paz consigo mesmo), sociais (paz com os outros e as estruturas socioculturais) e ambientais (paz com o meio ambiente que se vive);

É um processo dinâmico, contínuo e permanente, onde os indivíduos devem aprender a olhar para si e para a realidade de forma proativa, crítica, afetiva, reflexiva, etc.;

O educador deverá ser o grande exemplo para os educandos na mediação dos valores inerentes a cultura da paz e não-violência;

A arte e suas linguagens são importantes recursos para o desenvolvimento desta cultura,ajuda o homem no seu processo de humanização, desenvolvendo a sua formação comunicativa, a organização cognitiva e afetiva aprofundando a consciência de si mesmo e da realidade mundo;  

Deve ser orientada numa perspectiva criativa e positiva dos conflitos, onde os indivíduos devem aprender a conviver, a dialogar e a agir pacificamente, estabelecendo relações saudáveis e harmônicas; 

É importante saber que a paz está ligada as noções de desenvolvimento, justiça social, democracia e direitos humanos;

Deve-se buscar nos indivíduos o desenvolvimento dos valores humanos (paz, amor, verdade, ação correta e não-violência);

Existe um série de outros princípios...Mas é importante saber que o caminho para a construção da cultura da paz é a aprendizagem, é um exercício diário de transformação e de mudança das velhas formas do viver e para as novas formas do conviver, onde os educadores devem orientar e mediar situações em que educandos percebam novas possibilidades de compreender a arte de viver a vida com paz.

Após conhecer estes príncipios, faz-se necessário agora, buscar uma estrutura de organização das atividades para o desenvolvimento da cultura da paz e da não-violência ativa.

Penso que cada educador deve criar suas próprias formas de educar para a paz, observando as necessidades e a realidade dos educandos, dos próprios educadores e da comunidade escolar como um todo.

Partindo da minha experiência como arte-educador para a cultura da paz, geralmente o processo é participativo e colaborativo, eu discuto com os educandos possíveis temáticas e conteúdos que sejam da necessidade do grupo, depois  partimos para a criação de um projeto.

A partir daí você pode definir quais objetivos  conceituais, procedimentais e atitudinais para poder orientar-se e atingir resultados no projeto juntamente com seus educandos, lembre-se o trabalho com a cultura da paz é responsabilidade de todos.

Nos projetos, os conteúdos e as atividades são desenvolvidos em sequências didáticas*, cada atividade deve ser trabalhada de acordo a faixa etária de desenvolvimento cognitivo e afetivo dos educandos,  seguindo um roteiro de estratégias metodológicas flexíveis, que nos ajuda a orientar de uma forma mais dinâmica os trabalhos. As estrátegias metodológicas são as seguintes:

Harmonização: para meditar, relaxar e ampliar percepções através de visualizações criativas, para oxigenar e turbinar a mente através de exercícios de respiração, geralmente realizada antes e depois do início das aulas;

Sensibilização: para a motivação dos educandos com a temática e os conteúdos apresentados;

Diagnósticação: para avaliar o nível dos conhecimentos e das informações que os alunos trazem sobre as temáticas e ou conteúdos apresentados;

Problematização: para estimular a aprendizagem, a vontade de investigação e de pesquisa e para a resolução criativa dos desafios ou problemas apresentados;

Mediação: para a mediação dos conteúdos, para o diálogo recíproco entre o educador e os educandos, é a etapa do compartilhamento, das discussões, dos questionamentos, das argumentações para que os conteúdos e ou a temática pesquisada sejam aprofundadas;

Produção ou Arte em Ação: para a prática dos conteúdos que permitam uma aprendizagem mais producente e significativa (Laboratório de Pesquisa, Produção, Reflexão, Leitura, Interpretação e Contextualização)

Avaliação (Auto-Avaliação e Avaliação Processual e Contínua): para compreender o desenvolvimento qualitativo dos educandos, do educador e também de todo o processo, observando determinados critérios elaborados em conjunto com os educandos, como: organização, criatividade, estética, pontualidade, criticidade, participação, compromisso, etc.

São bastantes  vastas e diversas  as atividades e as temáticas que você pode desenvolver com seus educandos dentro ou fora do ambiente escolar. Posso sugerir algumas, elas partem sempre da utilização da arte como recurso mobilizador e mediador (artes cênicas, música, artes visuais e dança):

Paz Pessoal: jogos e atividades físicas, exercícios de respiração, visualização criativa, dança, meditação, criação de mandalas, atividades teatrais (dramatização), tempestade de idéias (brainstorming), leitura, criação e interpretação de imagens, criação de textos, poesias, cartas e cartões, ilustração de texto e músicas, espiritualização e individuação, necessidades básicas, projeto de vida, atividades sensoriais, sexualidade, consciência corporal, das emoções e dos pensamentos, higiene e limpeza, atividades para o desenvolvimento do autoconhecimento, da auto-estima e auto-imagem,  exercício dos valores humanos absolutos e relativos, etc.  

Paz Social: atividades e dinâmicas de grupo, campanhas socioculturais de solidariedade, criação de guias de convivência, produção de vídeos, fotonovelas, criação de músicas e jingles,  leitura, reflexão e interpretação de leis e documentos sobre cidadania e direitos humanos, uso das mídias tecnológicas como reflexão e produção, jogos não competitivos e cooperativos, produção de jornais, cartazes e panfletos, identidade cultural, resolução criativa dos conflitos, preconceito e discriminação, tolerância, cidadania, democracia, politização, consumismo,  atividades de comunicação, etc.

Paz Ambiental:  atividades que estimulem o consumo consciente, proteção, preservação, conservação e cuidados com a natureza, reciclagem, prociclagem e reaproveitamento, seleção e coleta seletiva de lixo, dissolução da fantasia da separatividade, plantar árvores e plantas, simplicidade voluntária, passeio e contato direto com a natureza, etc.

Partindo do pressuposto da atividade colaborativa, como exercício da paz, você pode postar nos comentários mais sugestões de atividades e  temáticas e experiências com a construção da cultura da paz na sua escola, em sua casa, no seu trabalho ou na rua. Fique a vontade...! 


    *As seqüências didáticas são um conjunto de atividades ligadas entre si, planejadas para ensinar um conteúdo, etapa por etapa.

    15 abril 2011

    VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E USO DE DROGAS ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

    A violência doméstica e o uso de drogas são os principais motivos que levam crianças e adolescentes às ruas e para a criminalidade. e consequentemente estarão também fora das escolas.  De acordo com o censo da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), cerca de 70% das crianças e adolescentes que dormem na rua foram violentados dentro de casa. Além disso, 30,4% são usuários de drogas ou álcool.

    Estes dados são importantes para repensarmos a nossa responsabilidade enquanto pais e educadores  destes seres que precisam de uma orientação pautada em valores mais humanos e a forma como educamos-os ou deseducamos-os.

    Veja matéria completa, clicando no link abaixo:

    11 abril 2011

    CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO EM PERIGO!

    Assine a Petição pelo Código Florestal !

    No Ano Internacional das Florestas, as florestas brasileiras correm perigo de desaparecer, pois as propostas do novo Código Florestal Brasileiro será votada na Câmara dos Deputados em breve! Deputados ruralistas estão investindo fortemente em uma campanha absurda para remover proteções ambientais e anistiar desmatadores.

    Se eles conseguirem, vastas áreas de vegetação nativa ficarão expostas ao desmatamento. Especialistas concordam que as alterações propostas pelos ruralistas para o Código Florestal podem levar a terríveis consequências, como agravamento de enchentes e deslizamentos, assoreamento de rios, perdas para a própria produção agrícola. Mas os ruralistas não escutam e querem aprovar a proposta agora!

    Acesse o link abaixo para assinar a petição pedindo para os nossos deputados defenderem as florestas:

     http://www.avaaz.org/po/peticao_codigo_florestal/?sos


    Acesse o link abaixo para assitir o vídeo e obter maiores informações:

    http://www.youtube.com/watch?v=p_3tXpu1-IM

    2011 ANO INTERNACIONAL DAS FLORESTAS



    A ONU declarou 2011 como Ano Internacional das Florestas, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a atual matança de nossas florestas e como isso pode interferir negativamente em nossas vidas.

    O logotipo do Ano Internacional das Florestas – 2011 é dedicado ao tema “Florestas para o povo”, a fim de exaltar que o compromisso de conservação e proteção das florestas do mundo cabe as pessoas.

    Cuidar do meio ambiente é um compromisso daqueles que trabalham pela paz do mundo (paz ambiental), devemos incentivar a exploração sustentável da natureza, ao invés de explorá-la indiscriminadamente e propor projetos de educação ambiental são ações que precisam ser cada vez mais desenvolvidas e são, dessa forma, os elementos que compõem o logotipo da iniciativa.

    As florestas são fundamentais à existência da humanidade, pois sua diversidade de vegetais oferecem diversos nutrientes que são enriquecedores para nossa alimentação, produção de medicamentos além de que estabilizarem o clima do planeta.

    Importante para nós arte-educadores e educadores em geral para divulgar e incentivar: A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” prevê a organização de eventos on-line para homenagear aqueles que expressem através das artes plásticas, fotografias, filmes e curtas-metragens a idéia de que as florestas são para o povo. A Secretaria colabora atualmente com museus, cineastas especializados em meio-ambiente, representantes dos meios de difusão e organizações que se preocupam com as florestas, para organizar um grandioso concurso mundial, do qual participem obras, filmes e fotografias que ilustrem o tema do Ano Internacional das Florestas – 2011: “Florestas para o povo “.

    Acesse o site da ONU e saiba mais informações, clicando no link abaixo:


    08 abril 2011

    O CASO DA ESCOLA DE REALENGO-RIO E A CULTURA DA PAZ


    Que o Cristo Redentor em sua bondade infinita, acolha nos braços da paz e do amor  estas crianças e adolescentes que se foram e tenha misericórdia das que ficaram! 


    Caso com estes, onde crianças  e adolescentes foram vítimas da violência na escola em Realengo-Rio sempre causam comoção geral, só que é preciso ter lucidez e discernimento para abordarmos esta triste situação!

    No momento somente podemos fazer especulações, não sabemos o que se passou na cabeça do assassino, porém, pela simbologia das suas escolhas, algumas perguntas podem ser feitas: Por que ele escolheu uma escola para cometer o crime? Por que a maioria das vítimas eram do sexo feminino? Por que ele utilizou frases religiosas confusas e desconexas? Onde estava a família deste rapaz?   Nos cabe uma reflexão neste momento... talvez porque na escola ele tivesse sofrido alguma agressão ou abuso; talvez ele tivesse dificuldades nas relações com as mulheres e obviamente elas com ele; talvez a rigidez e a distorção da palavra de determinadas religiões o tivesse empurrado para a culpa e não para a libertação; talvez a sua família fosse ausente...

    São muitas as respostas, mas de uma coisa nós podemos tirar como lição desta situação: Não podemos mais educar as nossas crianças e jovens como estamos educandos, precisamos ser mais responsáveis e presentes. Não não podemos educá-los somente para o mundo da ilusão, da fantasia, das falsas compesações, pela agressão e abuso de poder, pela ausência ou virtualidade, etc.

    Todos nós somos responsáveis (é preciso sair do papel de vítima) por esta sociedade em que vivemos, que o tempo todo nos vilipendia, maltrata e violenta, basta abrirmos um pouco mais os olhos para perceber e constatar tal situação. Em nossas casas com nossos familiares, nas ruas, nas repartições públicas ou privadas,  nos círculos de amizades, nos relacionamentos, nos templos religiosos, nas ações políticas (políticos são sempre os piores exemplos, salvo alguns poucos) e nas escolas, o que falar da violência no seu espaço interno e em seu entorno?

    Esta, sendo considerada o templo do saber e do aprender, deveria ser o lugar de proteção e cuidado, mas sabemos que nem sempre o é, eu mesmo, outros colegas de luta, educandos e funcionários de uma determinada escola daqui de Salvador  fomos vítimas de uma situação semelhante, que não cabe relato no momento, mais que deixaram marcas indeléveis até hoje, em todos nós que vivenciamos momentos de bastante, brutalidade, terror e pânico.

    Não quero ser oportunista ou panfletário neste momento, estou muito comovido também, porém é preciso aproveitar a ocasião para refletir que, nas nossas escolas de quase todo o nosso Brasil, crianças morrem todos os dias, vítimas de uma violência tão grave e alarmante quanto esta que constatamos.

    Nossas crianças e muitos dos nossos jovens morrem de inanição intelectual e moral todos os dias nos centros escolares,  comprometidos em sua aprendizagem, por  falta  ou por deficiência de conhecimentos que necessitam para evoluir como cidadãos e seres humanos. Esta situação sempre ocorre justamente por conta de uma educação deficitária e sem qualidade, imposta por um sistema perverso e maquiavélico  que oprime e corrompe muitos educadores e funcionários (muitas vezes competentes), mas que descuidam do seu trabalho porque lhes faltam  estímulo, esperança e dignidade como profissionais importantes que são para a nossa  sociedade. 

    E por consequência,  mediante situação de descaso,  acabam  produzindo uma  grande massa  de educandos semi-alfabetizados ou analfabetos funcionais, ignorantes e alienandos  de si mesmo e da realidade social  em que vivem. São poucos os que conseguem escapar desta deplorável situação, pois a sua grande maioria por falta de perspectiva de um futuro promissor, tornam-se quase que incapazes de se firmar na vida e como mecanismo de compensação e de sobrevivência acabam suas vidas, indo  por caminhos que consideram mais fácil,  como o da drogatição, da prostituição, das ruas, etc.

    Eu sei que é o velho texto batido, que se repete como num disco riscado, mas nunca é demais repetir, para ver se aprendemos pelo menos por osmose. Sabemos que eles, os políticos que estão no poder desorientando intencionalmente a nossa educação, nos querem assim, é interessante para eles que sejamos pobres de conhecimentos material, pessoal, espiritual, cultural, social, político, econômico... porque é mais fácil para nos controlar e manipular. Estão, (e estamos) nos desumanizando e deseducando, daí eu pergunto para todos nós: Por que permitimos isso?

    Tá tudo fora da ordem, o desconforto toma conta do mundo e estamos sempre e somente preocupados com o que menos importa na vida! É preciso indignar-se e manifestar-se para mudar, a transformação deve ser o nosso objetivo agora, e daí surge uma outra pergunta: Será que podemos trocar esta cultura de violência, que nos é imposta diariamente, por uma cultura da paz, que possibilita a humanização tão necessária ao homem neste momento?

    Penso que esta é a perguta que não quer e que  nunca deve se calar...Necessita muito diálogo e discussões, mas acredito que diante de tantos desvarios, o momento agora é de busca pela cultura da paz e de tomada de ação, urgente! Precisamos agir da maneira que podemos ou sabemos, a paz  dá trabalho e exige mudanças; precisa de coragem e vontade de todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, por isso muitos de nós resistimos a este tema, mas penso devemos dar uma chance para a paz e os seus valores em nossas vidas!

    É preciso pensar, sentir, falar e agir pela paz, colocá-la em nossas ações cotidianamente, na pauta do dia-a-dia, desde ao acordar até o dormir. É preciso educar-se para a paz, e a aprendizagem é o grande caminho!

    Paz é harmonia; é unidade na diversidade; é ser não-violento; é ser responsável pela vida; é amar e ser amado; é cuidar e ser cuidado; é respeito mútuo...Luta e aprendizagem constante, nunca inércia ou sombra e água fresca; é uma luta paulatina contra nós mesmos e contra esta sociedade que insiste em nos destruir e nos colocar em perigo a todo momento.

    Um amigo disse-me uma vez que sou ingênuo e que as coisas são mais graves do que imagino... Não sou ingênuo e nem utópico, sei que o processo de violência é histórico e tem interesses excusos e quase obscuros para manter as coisas como estão. Mas, eu acredito na causa,  a paz também tem a sua história e por experiência própria com a temática no meu dia-a-dia  como arte-educador para a construção da cultura da paz, sei que a paz é importante e produtiva no processo educativo e sei também que necessito e necessitamos aprender e vivenciar ainda mais sobre a cultura da paz para que ela seja construída definitivamente em nossas vidas.

    Uma das belas aprendizagens que tive com um aluno de 7 anos que se chamava Cícero, num momento de desafio na escola com o trabalho da paz, ele me ensinou  que é preciso realizar algo pela paz  com perseverança e nunca desistir, dar sempre  tempo ao tempo, porque quando plantamos uma sementizinha da harmonia, no momento certo ela germinará,  brotará, crescerá e dará lindas flores e bons frutos da paz, mesmo nos momentos de dificuldades e desarmonia. 

    Todos nós educadores, se queremos mudanças, devemos nos comprometer e começar por nós mesmos, porque ainda somos um grande espelho para nossos educandos, temos que buscar a paz (constantemente) e ensinar para eles que ela está dentro e não fora, ela está mais próxima de nós do que imaginamos (está na nossa alma). E se está na nossa alma devemos seguí-la como um farol que nos orienta nos momentos de escuridão das nossas vidas!

    Voltando ao assunto da escola violentada, o que podemos fazer pela paz, para ajudar estas famílias que sofrem,  estes profissionais da educação desta escola que estava aniversariando, por estas crianças que se foram e as que ficaram num momento e pelo infeliz que realizou este crime barbáro?

    O momento é delicado, porque o trauma é grande para todos, mas de onde estivermos podemos fazer a nossa parte: Orar, meditar, rezar, vibrar por todos em luz para nós que estamos longe e para àqueles que estão próximos, acolher, oferecer a palavra e o ombro amigo e caridoso.

    Mentalizemos luz de amor, paz e sabedoria e muitas vibrações positivas, principalmente para as crianças e adolescentes desecarnados, para as que se encontram no hospital, em recuperação ou estado grave e também pelo algoz.  Sei que dirão que estou louco, mas ele  também é um digno de compaixão, é apenas um doente (esquizofrênico, psicopata ou sociopata) mais uma vítima e de si mesmo (das suas sombras) e consequentemente das atrocidades e barbaridades da nossa sociedade corrupta, alienada, ignorante, hipócrita, preconceituosa e desvairada.

    Vibremos pela escola Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo, na Zona Oeste do Rio e por todas as escolas do Brasil e do mundo. Que ela volte ao seu trabalho depois dos dias de luto, refletindo, dialogando e discutido o caso com as suas crianças.

    Faz-se necessário expor o problema, não é possível esconder, porque já está exposto em todos os meios de comunicação de todos o país e o seu efeito seria ao contrário, provocando nas crianças situações de insegurança e medo. Devemos explicar, propor diálogos e problematizar a questão da violência entre os educandos e educadores na sociedade em que vivemos.

    É preciso utilizar a arte e as suas linguagens para propor uma discussão, prestar homenagens, criar desenhos, elaborar textos, escrever cartas... Elaborar o luto de forma criativa poderá ajudar nos caminhos da superação da dor e do sofrimento. Todas as  escolas e as famílias cariocas e brasileiras devem buscar o seu melhor caminho para lidar com o assunto e escutar as crianças no momento em que elas possam falar sobre o assunto, de acordo as suas fases de compreensão e precepção da realidade. 

    Ao invés de ficarmos presos à  revolta e a indignação, usemos o momento para trabalhar os conceitos, os procedimentos e as atitudes sobre a Cultura da Paz e Não-Violência Ativa, tratando de temas como: a segurança, a justiça, a solidariedade, o perdão, o amor e o cuidado como consigo e com o próximo, a responsabilidade, o resgate da cidadania,  a ética, etc.


    Muita paz para todos e que a paz se faça presente na vida de todos nós, porque somos Potências de Paz!!!!

    07 abril 2011

    OS ESTATUTOS DO HOMEM SEGUNDO THIAGO DE MELLO

    Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
    A Carlos Heitor Cony

    Artigo I

    Fica decretado que agora vale a verdade.
    agora vale a vida,
    e de mãos dadas,
    marcharemos todos pela vida verdadeira.


    Artigo II

    Fica decretado que todos os dias da semana,
    inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
    têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


    Artigo III

    Fica decretado que, a partir deste instante,
    haverá girassóis em todas as janelas,
    que os girassóis terão direito
    a abrir-se dentro da sombra;
    e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
    abertas para o verde onde cresce a esperança.


    Artigo IV

    Fica decretado que o homem
    não precisará nunca mais
    duvidar do homem.

    Que o homem confiará no homem
    como a palmeira confia no vento,
    como o vento confia no ar,
    como o ar confia no campo azul do céu.

    Parágrafo único:

    O homem, confiará no homem
    como um menino confia em outro menino.


    Artigo V

    Fica decretado que os homens
    estão livres do jugo da mentira.
    Nunca mais será preciso usar
    a couraça do silêncio
    nem a armadura de palavras.

    O homem se sentará à mesa
    com seu olhar limpo
    porque a verdade passará a ser servida
    antes da sobremesa.


    Artigo VI

    Fica estabelecida, durante dez séculos,
    a prática sonhada pelo profeta Isaías,
    e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
    e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


    Artigo VII

    Por decreto irrevogável fica estabelecido
    o reinado permanente da justiça e da claridade,
    e a alegria será uma bandeira generosa
    para sempre desfraldada na alma do povo.


    Artigo VIII

    Fica decretado que a maior dor
    sempre foi e será sempre
    não poder dar-se amor a quem se ama
    e saber que é a água
    que dá à planta o milagre da flor.


    Artigo IX

    Fica permitido que o pão de cada dia
    tenha no homem o sinal de seu suor.
    Mas que sobretudo tenha
    sempre o quente sabor da ternura.


    Artigo X

    Fica permitido a qualquer pessoa,
    qualquer hora da vida,
    uso do traje branco.


    Artigo XI

    Fica decretado, por definição,
    que o homem é um animal que ama
    e que por isso é belo,
    muito mais belo que a estrela da manhã.


    Artigo XII

    Decreta-se que nada será obrigado
    nem proibido,
    tudo será permitido,
    inclusive brincar com os rinocerontes
    e caminhar pelas tardes
    com uma imensa begônia na lapela.


    Parágrafo único:

    Só uma coisa fica proibida:
    amar sem amor.


    Artigo XIII

    Fica decretado que o dinheiro
    não poderá nunca mais comprar
    o sol das manhãs vindouras.

    Expulso do grande baú do medo,
    o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
    para defender o direito de cantar
    e a festa do dia que chegou.


    Artigo Final.

    Fica proibido o uso da palavra liberdade,
    a qual será suprimida dos dicionários
    e do pântano enganoso das bocas.

    A partir deste instante
    a liberdade será algo vivo e transparente
    como um fogo ou um rio,
    e a sua morada será sempre
    o coração do homem.


    Santiago do Chile, abril de 1964


    Amadeu Thiago de Mello

    Amadeu Thiago de Mello: é o nome literário de Amadeu Thiago de Mello, nascido a 30 de março de 1926, na pequenina cidade de Barreirinha, fincada à margem direita do Paraná do Ramos, braço mais comprido do Rio Amazonas, no meio do pedaço mais verde do planeta: a Amazônia.



    04 abril 2011

    MESTRE DA PAZ 6



    "Ou aprendemos a viver como irmãos, ou vamos viver juntos como idiotas." (Martin Luther King)

    Martin Luther King  Jr. nasceu em Atlanta, 15 de janeiro de 1929 e faleceu em Memphis, no dia 4 de abril de 1968. Foi um pastor protestante e ativista político norte-americano, tornando-se um grande exemplo de líder, um modelo para orientar muitos políticos de todo o mundo, inclusive dos líderes brasileiros. Poucos líderes conseguiram direcionar seu caráter, sua integridade, seus valores com tanta objetividade em prol da democracia no seu país.

    Tornou-se um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e no mundo, com uma campanha de não violência, liberdade, paz e de amor ao próximo. Suas ideologias estavam fundamentadas no ideal cristão e na desobediência civil não-violenta preconizada pelo líder indiano Mahatma Gandhi.

    Ele foi a pessoa mais jovem a receber o Prémio Nobel da Paz em 1964, pouco antes de seu assassinato, em reconhecimento a sua nação e à sua liderança na resistência não-violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos.

     Seu discurso mais famoso e lembrado foi "I Have a Dream", que traduzido para o português que dizer  "Eu Tenho Um Sonho".

    Para saber mais sobre a vida deste incansável trabalhador para o desenvolvimento da cultura da paz, acesse o link, abaixo:


    Você pode verificar (texto e vídeo) do famoso discurso de Martin Luther King, clicando no link abaixo: